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18
Mai12

Saiba como investir no Facebook que estreia hoje em bolsa

adm

A mais esperada estreia em bolsa dos últimos tempos acontece hoje. Saiba se vale a pena comprar acções da maior rede social do mundo.

O Facebook conecta-se hoje na rede dos mercados bolsistas e os investidores dirão se as acções da empresa fundada por Mark Zuckerberg são merecedoras de ‘likes'. A julgar pelas informações veiculadas durante a semana, a entrada em bolsa da maior rede social do mundo está a querer ser partilhada por muitos investidores. O Facebook sentiu-se suficientemente confiante na sua popularidade para rever em alta o preço da sua entrada em bolsa e para disponibilizar mais acções aos investidores.

Mas apesar de toda a expectativa e do mediatismo em torno da operação - a maior de sempre no sector e uma das maiores no mundo - os analistas recomendam pensar duas vezes antes de se fazer um ‘like' às acções. Alguns temem mesmo que a ‘timeline' da vida financeira dos investidores possa ficar manchada. O motivo: o preço elevado com que as acções irão entrar em bolsa. O intervalo dos preços indicativos é de entre 34 e 38 dólares o que, no intervalo máximo, avaliará a empresa em 104 mil milhões de dólares.

Tendo em conta o intervalo médio do preço, 36 dólares, as acções do Facebook irão transaccionar a um preço mais elevado face às receitas que os rivais Google ou LinkedIn. Os títulos da empresa liderada por Mark Zuckerberg irão negociar com um preço 16 vezes superior às receitas estimadas para 2012. Já no Google esse rácio é de 4,3 vezes e no LinkedIn de 12 vezes. O Facebook transaccionará ainda com um rácio preço/lucros PER) perto de 100 vezes, o que compara com o PER de quase 20 vezes do Google. No entanto, quando entrou em bolsa, o motor de busca também chegou a negociar com um PER de três dígitos. E hoje vale mais 7,4 vezes do que quando se estreou no mercado.

Apesar do preço elevado, há analistas que defendem que o prémio é justificado. "Acreditamos que haverá investidores com disposição para pagar este prémio porque o Facebook está ainda na fase inicial de irromper num mercado de 600 mil milhões de dólares", referiram os analistas da Sterne Agee num relatório a que o Económico teve acesso. Adiantam que "tal como o Google fez há menos de uma década, acreditamos que o Facebook está a transformar o mercado mundial de publicidade (cerca de 600 mil milhões de dólares), particularmente o subsegmento de 68 mil milhões de dólares da publicidade online (mercado que se espera que atinja 120 mil milhões de dólares em 2015)". O co-fundador da Apple, Steve Wozniak, parece concordar. Disse que investiria no Facebook independentemente do preço.

Investidores poderão fazer ‘dislike' no médio prazo
Mas nem todos são tão optimistas sobre o crescimento do Facebook. Aliás, a maior parte das casas de investimento não tem a mesma perspectiva positiva que a Sterne Agee, e avaliam a rede abaixo do valor a que pretende entrar em bolsa. Apesar de esperarem umas primeiras sessões positivas, motivadas pela euforia dos investidores, os analistas da Pivotal Research alertam para que, no médio prazo, o Facebook possa vir a valer menos. "À medida que a desaceleração das receitas continuar e o período de ‘lock-up' [indisponibilidade das acções] dos ‘insiders' expire, esperamos que a acção corrija para o nosso ‘fair value' [30 dólares].

Uma das preocupações é sobre a evolução das receitas do Facebook, que têm dado sinais de abrandamento (ver infografia). A juntar a estes receios está o facto de, esta semana, a General Motors - uma das maiores anunciantes no Facebook - ter decidido retirar publicidade da rede social por considerar que não tinha retorno suficiente. "Se outros anunciantes também tiverem este problema, pode ser uma causa de preocupação, já que a publicidade é actualmente o negócio primário e mais rentável", referiram os analistas da Trefis. Adiantam ainda que, contrariamente ao Google, "que provou a demonstração de valor para os anunciantes com sugestões baseadas em análises detalhadas para aumentar o retorno do investimento, o sistema de publicidade do Facebook ainda está em construção".

E são estes alguns dos riscos que, após o mediatismo da entrada em bolsa, poderão levar os investidores a etiquetarem o Facebook com um "não gosto".


‘Like'

- Maior rede social do mundo, com um sétimo da população mundial a ser utilizadora do Facebook. O website é o que regista mais tráfego no mundo, seguido pelo Google e pela Microsoft

- Potencial para lucrar com o mercado da publicidade em plataformas móveis, dado que a ‘app' da Facebook é das que tem mais ‘downloads'. Algumas estimativas apontam que este subsegmento de publicidade, que vale actualmente 1,5 mil milhões de euros, chegue aos 18 mil milhões em 2015.

- Oportunidade para crescer na China, mercado onde o Facebook não está presente, e que tem 23% dos utilizadores de internet no mundo.

- Aumento da receita média por utilizador, conseguida através do aumento do tempo que cada utilizador passa na página.

- O Facebook está a conseguir diversificar as fontes de receita através de pagamentos e comissões que recebe.


‘Dislike'

- O Facebook chega ao mercado com rácios de avaliação que indiciam que o preço é bastante caro face ao sector. O valor a que entrará em bolsa será 16 vezes superior às receitas, o que compara com o valor de mercado do Google, que é 4,3 vezes superior às receitas.

- O abrandamento no crescimento das receitas. No último trimestre as receitas tiveram, pela primeira vez, uma queda face aos três meses anteriores. Desceram 6,5%.

- Apesar de ser a maior rede social do mundo, o Facebook terá de enfrentar uma concorrência feroz por parte de empresas como a Google.

- Risco de mudanças na regulação e nas leis sobre a privacidade, que poderão limitar a capacidade em capitalizar a informação recolhida na rede junto dos anunciantes.

- A estratégia de publicidade ainda não está afinada, o que levou a General Motors a deixar de pagar anúncios no Facebook.

fonte:http://economico.sapo.pt/

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