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Poupanças e Investimentos Seguros

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04
Jan15

Famílias investem no Estado

adm

As famílias voltaram a confiar na dívida portuguesa e a emprestar dinheiro aos cofres públicos. No ano em que a troika saiu do país e se abriu caminho para o regresso aos mercados de médio e longo prazo, o Estado conseguiu atrair um volume significativo de poupanças dos portugueses.

 

De Janeiro a Novembro, as famílias depositaram no Estado 4,5 mil milhões de euros em Certificados de Aforro e em Certificados do Tesouro Poupança Mais – o valor mais elevado de subscrição de produtos de retalho de que há registo nas estatísticas disponibilizadas pelo IGCP – Agência da Tesouraria e da Dívida Pública, que remontam a 2001.

Depois de contabilizadas as amortizações de certificados – pessoas que resgataram a sua poupança –, o saldo líquido de subscrições no ano passado foi de 4,1 mil milhões de euros. Os aforradores nacionais detêm agora 16,7 mil milhões de euros em dívida pública – cerca de 7,6% do total da dívida directa do Estado, o valor mais elevado desde 2010, ano anterior ao resgate da troika.

Peso crescente

O financiamento obtido através do retalho tem já um peso praticamente igual ao dos bilhetes de tesouro. Estes títulos de curto prazo, que representaram o principal instrumento de financiamento do Estado durante o Programa de Ajustamento Económico e Financeiro, equivalem a 7,7% na estrutura da dívida pública. Apesar de as estatísticas de Dezembro ainda não serem conhecidas, o Governo já superou a meta traçada para 2014 – a última de emissão de dívida no retalho era inferior a quatro mil milhões.

Mais consumo não impede poupança

Para este desempenho, o Governo beneficiou de vários factores. Por um lado, a poupança das famílias tem aumentado e, num contexto de queda das taxas de juro na Zona Euro, a remuneração oferecida pela banca nos depósitos a prazo afundou. Mesmo com a recuperação do consumo interno, as famílias conseguiram nos últimos meses pôr de parte quase 10% do rendimento disponível.

“O consumo e a poupança das famílias podem subir ao mesmo tempo se o rendimento das famílias estiver a subir”, explicou ao SOL Inês Domingos, docente de Economia da Universidade Católica. De facto, o rendimento disponível das famílias diminuiu entre o final de 2010 e meados de 2013, mas tem vindo a subir desde então – favorecendo quer o consumo quer a poupança.

Com esta maior propensão das famílias para a poupança, a procura por produtos do IGCP aumentou, revelando também uma percepção pública de menor risco da dívida nacional. E foi determinante a alteração das condições de remuneração dos certificados de aforro em Setembro de 2012 e o lançamento um novo produto de poupança pelo IGCP, os Certificados do Tesouro Poupança Mais.

Após cinco anos de resgates, os certificados de aforro ganharam novo fôlego com a introdução de um prémio de permanência ao final de 2016, que elevou o juro para taxas superiores a 3%.

Por sua vez, os Certificados do Tesouro Poupança Mais têm uma taxa fixa entre 2,75% e 5%, a que pode acrescer um prémio nos últimos dois anos em função do crescimento médio real do produto interno bruto. Contabilizando apenas as emissões, os portugueses emprestaram ao Estado, em média, 10,7 milhões de euros por dia através de subscrições de Certificados de Aforro e quase 11,6 milhões de euros em Certificados do Tesouro Poupança Mais.

 

fonte:http://sol.pt/

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